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Tem sintomas, mas os exames não mostram nada? Entenda por que isso pode acontecer

Publicada em: 27/07/2026 17:36 -

Tem sintomas, mas os exames não mostram nada? Entenda por que isso pode acontecer Crédito: Imagem: Pixel-Shot | Shutterstock

Coceira, corrimento, dor durante a relação sexual ou desconforto íntimo são sintomas que levam milhares de mulheres ao consultório todos os anos. Em muitos casos, porém, os exames para infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) não apontam nenhuma alteração, deixando pacientes e médicos sem uma resposta clara para o problema.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 1 milhão de novos casos de ISTs são registrados diariamente no mundo. Ao mesmo tempo, pesquisadores têm ampliado os estudos sobre a microbiota vaginal, conjunto de microrganismos que vivem naturalmente na região íntima e desempenham papel importante na proteção contra infecções e na saúde ginecológica.

Para a biomédica Cláudia Oliveira, consultora em inovação diagnóstica, a tendência é que a investigação deixe de focar apenas na presença ou ausência de agentes infecciosos e passe a considerar também o equilíbrio da microbiota vaginal. "Os exames de PCR em tempo real ampliam o diagnóstico porque, além de identificar os principais patógenos sexualmente transmissíveis, avaliam quantitativamente a microbiota vaginal, fornecendo informações que os exames tradicionais normalmente não mostram", explica.

O que muda em relação aos exames convencionais?

Enquanto boa parte dos testes disponíveis informa apenas se determinado microrganismo está presente, os exames mais recentes também analisam a quantidade desses agentes e o equilíbrio entre as bactérias consideradas benéficas e aquelas potencialmente prejudiciais. Segundo a especialista, isso permite ao médico entender melhor se o microrganismo identificado realmente está relacionado aos sintomas da paciente ou se o desconforto pode estar ligado a um desequilíbrio da microbiota vaginal.

Outra vantagem apontada é a possibilidade de tornar o tratamento mais preciso. Ao avaliar simultaneamente a carga dos microrganismos, a quantidade de lactobacilos — bactérias responsáveis por proteger a região íntima — e a massa bacteriana total, o médico consegue definir com mais segurança quando há necessidade de tratamento, reduzindo a troca sucessiva de antibióticos e antifúngicos.

Quando o exame "normal" não explica os sintomas

Segundo Cláudia Oliveira, uma situação frequente nos consultórios é a de mulheres que apresentam sintomas persistentes, mas recebem resultados negativos para ISTs. Nesses casos, a avaliação da microbiota pode revelar alterações que os exames convencionais não identificam, oferecendo uma explicação clínica para queixas que antes permaneciam sem diagnóstico.

Além do diagnóstico das infecções, o equilíbrio da microbiota vaginal também tem despertado interesse por sua possível relação com a fertilidade e a gestação. Estudos discutem que alterações nesse ecossistema podem estar associadas a processos inflamatórios que aumentam o risco de infertilidade, falhas em tratamentos de fertilização in vitro (FIV) e parto prematuro, embora a avaliação de cada caso deva ser feita individualmente.

Fonte: Jornal Correio

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