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Teste rápido identifica superbactérias em seis horas e pode transformar rotina de UTIs

Publicada em: 22/07/2026 16:13 -

Bactéria Crédito: Shutterstock

Pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e do Hospital das Clínicas da FMUSP (HCFMUSP) validaram uma estratégia de baixo custo capaz de detectar rapidamente a presença de "superbactérias" no intestino de pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs).

A técnica utiliza um teste rápido semelhante aos disponíveis em farmácias, como os de Covid-19 e gravidez, conhecido como teste imunocromatográfico (ICT). De acordo com os estudos, o método identifica pacientes portadores desses microrganismos em apenas seis horas, reduzindo em até 60 horas o tempo necessário para o diagnóstico pelos métodos convencionais e contribuindo para a redução dos custos no sistema público de saúde.

Uso indiscriminado de antibióticos está fortalecendo bactérias por Imagem gerada por IA

Uso indiscriminado de antibióticos está fortalecendo bactérias por Imagem gerada por IA

As Enterobactérias Resistentes a Carbapenêmicos (ERC) são consideradas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) uma das principais ameaças globais à saúde pública. Essas bactérias, normalmente presentes no intestino humano, adquiriram resistência aos carbapenêmicos, antibióticos utilizados em infecções graves, principalmente por produzirem enzimas capazes de inativar esses medicamentos, conhecidas como carbapenemases. No Brasil, casos de sepse provocados por ERC apresentam taxa de mortalidade de até 63,8%.

Grande parte dos pacientes pode abrigar essas bactérias no intestino sem manifestar sintomas, condição conhecida na medicina como "colonização". Mesmo sem sinais da infecção, esses indivíduos podem transmitir os microrganismos para outros pacientes hospitalizados ou desenvolver infecções graves posteriormente. Por esse motivo, exames de triagem costumam ser realizados na admissão de pacientes em UTIs.

Atualmente, o principal desafio é o tempo necessário para obtenção do resultado pelo método convencional, baseado na cultura das bactérias em laboratório, que leva entre dois e três dias. Nesse período, os pacientes permanecem em isolamento preventivo, com uso obrigatório de aventais e luvas descartáveis para evitar a disseminação dos microrganismos. A medida aumenta o consumo de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), sobrecarrega as equipes de enfermagem e pode manter pacientes isolados sem necessidade. Embora os testes moleculares, como o PCR, ofereçam rapidez e alta precisão, seu custo elevado e a necessidade de equipamentos específicos dificultam a adoção em grande parte dos hospitais públicos.

Como alternativa, os pesquisadores validaram um protocolo em que a amostra coletada por swab retal permanece em um caldo nutritivo durante seis horas antes de ser aplicada diretamente no teste rápido.

Houve um aumento drástico nas mortes causadas por esses microrganismos em todo o planeta (Imagem: Tatevosian Yana | Shutterstock) por Imagem: Tatevosian Yana | Shutterstock

Houve um aumento drástico nas mortes causadas por esses microrganismos em todo o planeta (Imagem: Tatevosian Yana | Shutterstock) por Imagem: Tatevosian Yana | Shutterstock

Teste rápido

Um dos autores dos estudos, Matias Chiarastelli Salomão, que é professor colaborador da FMUSP, explica que o teste rápido validado pelo grupo funciona como uma ferramenta democrática de controle de infecção.

"Ele oferece a velocidade de um teste molecular caro, mas por uma fração do preço e sem necessidade de máquinas complexas. Isso abre as portas para que qualquer hospital público ou laboratório com recursos limitados no Brasil e no mundo consiga identificar pacientes portadores de forma precoce, economize recursos retirando isolamentos desnecessários e proteja os pacientes internados".

Os pesquisadores destacam que, embora o teste rápido torne mais eficiente o fluxo hospitalar e reduza os custos com isolamentos desnecessários, o controle das superbactérias em ambientes de alta prevalência depende de um conjunto de medidas. Entre elas estão o uso racional de antibióticos e a adoção rigorosa de protocolos de higiene, considerados essenciais para conter a disseminação desses microrganismos.

Os estudos foram publicados nos periódicos científicos Journal of Hospital Infection, Microbiology Spectrum e Brazilian Journal of Infectious Diseases.

Fonte: Jornal Correio

 
 
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