Telescópio flagra nascimento de estrelas em cauda de gás a bilhões de anos-luz daqui Crédito: (Foto: Freepik)
Observar o Universo é como abrir um álbum antigo e descobrir imagens que estavam escondidas pelo tempo.
Foi exatamente essa sensação que tomou conta da comunidade científica após uma nova descoberta feita pelo James Webb Space Telescope: uma galáxia com aparência de “água-viva” foi identificada flutuando no espaço profundo, exibindo longos filamentos de gás que lembram tentáculos cósmicos.
O rastro de gás no infinito
A estrutura impressiona pelos seus filamentos extensos, que parecem se arrastar pelo vazio em alta velocidade. Esse visual exótico é resultado de um fenômeno conhecido como “arrancamento por pressão” (ram pressure stripping).
Esse processo acontece quando uma galáxia atravessa regiões densas, como aglomerados galácticos, e sofre uma pressão externa extremamente intensa.
A força é capaz de remover o gás interno da galáxia, deixando para trás trilhas luminosas que marcam seu caminho pelo cosmos. O efeito visual é tão marcante que rendeu o apelido de galáxia “medusa”.
Segredos revelados no campo COSMOS
A descoberta foi liderada pelo pesquisador Ian Roberts, que analisava dados do campo COSMOS, uma das regiões mais estudadas do céu profundo por estar distante da interferência luminosa da Via Láctea.
As imagens captadas pelo telescópio revelaram algo ainda mais surpreendente: pontos azulados brilhando ao longo dos filamentos de gás. Ao investigar esses sinais, os cientistas constataram que se tratavam de estrelas recém-formadas.
Nascimento estelar em meio ao caos
A descoberta desafia antigas teorias. Durante muito tempo, acreditava-se que regiões mais remotas e menos densas do universo não teriam pressão suficiente para provocar esse tipo de fenômeno extremo.
Agora, os dados indicam que mesmo ambientes considerados menos agressivos podem desencadear processos intensos de transformação galáctica.
O próximo passo dos pesquisadores é entender por que essas galáxias interrompem, de forma repentina, a formação de novas estrelas.
A “água-viva” cósmica não é apenas uma imagem fascinante, ela pode ajudar a reescrever parte do que sabemos sobre a evolução das galáxias no Universo Primitivo.
Fonte: Jornal Correio
